Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

A primeira a gente nunca esquece

Depois de algum tempo levando a sério um estilo de vida boêmio e desfrutando até o último gole as beneficies que isto proporciona, resolvi voltar a nadar de manhã. O que, definitivamente não é fácil, principalmente durante o inverno. Mesmo assim decido encarar o desafio.

Passam das seis da manhã quando acordo, e como de hábito, levanto com grande dificuldade e me arrasto em silêncio até o banheiro. Por educação, birra e consideração ao próximo, não falo com ninguém até perto das nove da manhã. Mau humor matinal mesmo. E nesta manhã fria não seria diferente.

Continuo me arrastando e, depois de esbarrar em uma ou duas paredes, chego ao banheiro. A visão do espelho assusta, é fato. Mas resolvo isso não olhando para ele e focando na missão. Assim, depois de esvaziar a bexiga e fazer a higiene bucal sobra um tempinho. Então mato um copo de leite, pego a mochila e vou embora.

Chegando à academia, sucesso: mulheres lindas circulando com roupas coladinhas e literalmente molhadas. Que beleza! Faço um rápido mapeamento da biodiversidade local e caio na piscina. Quase uma hora e mil e tantos metros depois, termino a aula impressionado e sem fôlego. É um recorde, mesmo depois de um mês parado. Coisa de atleta mesmo.

Subo para um banho esperto e sem pressa, mas não sem mapear o ambiente novamente. Ainda tenho algum tempo para isso. Dez minutos de chuveiro e uns dois quilos de cloro depois, segue uma sessão de toalha e aquele trato com hidratante, gel, perfume, uma folheada no jornal do dia e afins. Estou pronto para me vestir. Homem moderno é assim. E ainda consegue ser hetero.

Pego então a bolsa com aquela roupa elegante, escolhida a dedo um dia antes. Camisa, calça, meias, sapatos e cintos adequados e… nada de cueca? A tranqüilidade da lugar ao desespero e à dúvida, mas calma! Sabedoria e experiência fazem diferença nessa hora e naturalmente me conduzem à decisão mais coerente naquela hora: criar o "bicho" solto.

Saio da academia com uma sensação estranha. Há certo “jogo” enquanto caminho. É diferente, mas me acostumo. Mas ainda que essa situação seja suportável, preciso tomar uma providência, fazer algo. Comprar uma cueca, talvez. No caso, a minha primeira.

Neste ponto é preciso fazer um parêntesis. É fato que a maioria dos homens não compra suas cuecas. Primeiro porque crescemos ganhando nossas cuecas. E segundo, porque mesmo depois de certa idade, ganhar cuecas é sempre melhor do que comprá-las. E claro, pra que servem as namoradas, casos, cachos e afins? Dito isto, imagine um desses homens comprando sua primeira cueca, às nove da manhã, numa loja cheia de mulheres e, pasmem, sem cueca! Esta é a cena. E o cara sou eu.

Entro na loja, que chamam de armarinho, e lá estão elas: dezenas, centenas, não!, milhares de mulheres e sinto como se estivesse sendo observado por todas elas. Aliás, o que todas elas fazem tão cedo num armarinho? A pergunta é boa e acreditem: elas cabem lá dentro.

Finjo naturalidade, meu membro também. Olho alguns panos de prato, enfeites, estou em um armarinho afinal. Como não encontro nada – óbvio!, tomo coragem e vou ao balcão para enfrentar meu destino. Cedo ou tarde teria que fazer isso.

Chega a hora. Me encho de moral, bato no balcão como se deve e chamo a mocinha simpática. Quando ela chega, olho no fundo dos seus olhos e me lembro que é assim que se faz durante um verdadeiro brinde – cheers! Lembro também que é agora ou nunca!

Então crio confiança, respiro fundo uma vez, duas, olho para o relógio, daí peço: duas camisetas brancas básicas, tamanho grande, um daqueles panos de prato com temas florais pintados à mão e, aproveitando, uma cueca branca grande também, por favor?

E saio da loja feliz. Com uma sensação de conquista inigualável e, claro, com a certeza de que mostrei pra ela quem é que manda.

5 Comentários:

Blogger Érico disse...

KKK... muito bom esse texto !!!
Quem nunca passou por caso igual ou semelhante !!

:D

24 de Setembro de 2007 17:22  
Blogger Dani Morreale disse...

"panos de prato com temas florais pintados à mão" - feitos para quem manda e também desmama.


Muito bom o texto.

18 de Outubro de 2007 16:10  
Blogger O bom e velho Duds disse...

pois é, não sei se todo mundo já passou por isso. mas em verdade vos digo: eu passei. é tudo a mais pura verdade.

inclusive, dani, sobre os panos de prato, hehehhehehe

valeu galera!
;-)

18 de Outubro de 2007 19:21  
Anonymous Diniz disse...

Olha a Dani aí!! Ae Duds! Só pra constar... a Dani é amiga minha. Quem apresentou o blog fui eu! Só tô falando isso pra vc não achar que o chopp q vc prometeu foi em vão. =)

E atualiza logo essa porra aqui.

Abs.

18 de Outubro de 2007 21:00  
Blogger Paulo disse...

O bom e velho Edu. Cara, quanto requinte. Você me fez lembrar aquela cena onde você se fez passar por um tapete, em plena litorânea, para um carro cheio de gatinhas passar...lembra?

Grande abraço e parabéns pelo talento.

21 de Dezembro de 2007 17:38  

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