Sono pesado
Quando o médico finalmente conseguiu segurar aquela grande cabeça tomou um susto: o bebê não chorava. Mas também não estava morto, nasceu dormindo. E passaria a vida inteira assim, “descansando os olhos” como diriam anos depois.
Dormia o tempo todo – ou pelo menos todo o tempo em que não estivesse acordado, fazendo isso com a precisão e a habilidade de um profissional. Afinal, não era um mero “bom de cama” como podiam insinuar eventuais desinformados. Dormia no aconchego do seu colchão de molas encapadas e semi ortopédico, daquela marca conhecida, com a mesma destreza que caia no sono em circunstâncias, terrenos e condições das mais diversas. Com ele não tinha cerimônia.
Pela manhã, assim que acordava logo dormia de novo. No banho, no caso. E não se limitava a um cochilo enquanto lavava o cabelo. Dormia do começo ao fim, mas não sem se lavar direito. Conseguia dormir e tomar banho com a mesma facilidade com que aquele presidente ex-operário conseguia falar sério dizendo apenas bobagem.
E quando pintava uma necessidade mais específica, não era diferente. Dava seu cochilinho sentado no vaso sanitário ou em pé diante dele, reforçando sempre para quem duvidasse, que sabia o que estava fazendo. E de olhos fechados! – exclamava. Só abria antes da derradeira descarga, pois tinha por hábito conferir sua obra e estimar seu peso. De resto, também não errava o buraco do vaso, muito pelo contrario. Chegava até ao requinte de fechar a tampa quando terminava. Era um dorminhoco afinal. Mas um educado acima de tudo.
Levava uma vida normal, apesar do hábito peculiar. Na rua, por exemplo, não passava vontade. E se alguém o acusasse de “dormir no ponto”, tinha como resposta um orgulhoso “sim”. Mas sempre acordava a tempo de nunca perder o bonde. No caso, o ônibus. E tão logo estivesse dentro dele, tratava logo de arrumar um lugar pra se aninhar e viver uma deliciosa experiência de sono durante a viagem.
Por conta disso, muitos imaginavam que teria problemas quando o assunto era relacionamento. Ou o que acontece durante um. Ao que estavam enganados. Apesar de ter sido surpreendido várias vezes por uma súbita sonolência ainda nas preliminares, nessa hora e durante todo o tempo que a atividade durasse, não dormia. Pelo contrário. Estava sempre ligado, em riste por assim dizer. Apenas, como qualquer macho da espécie que se preze, não resistia a um bom cochilo depois de tanto tempo de cabeça quente.
Dormia no carro, na cama, fora dela e também no ponto, era mesmo bom nisso. Até que um dia dormiu na linha. Do trem, no caso. Era hora do “rush” como se diz por aí, a plataforma estava cheia. E depois de um dia de trabalho o sono chegou antes do trem. Quando viu, não viu mais nada. Passou de passageiro a “objeto na via” num piscar de olhos. Aliás, num descansar os olhos que, sem querer, acabou descansando todo o resto.
Dormia o tempo todo – ou pelo menos todo o tempo em que não estivesse acordado, fazendo isso com a precisão e a habilidade de um profissional. Afinal, não era um mero “bom de cama” como podiam insinuar eventuais desinformados. Dormia no aconchego do seu colchão de molas encapadas e semi ortopédico, daquela marca conhecida, com a mesma destreza que caia no sono em circunstâncias, terrenos e condições das mais diversas. Com ele não tinha cerimônia.
Pela manhã, assim que acordava logo dormia de novo. No banho, no caso. E não se limitava a um cochilo enquanto lavava o cabelo. Dormia do começo ao fim, mas não sem se lavar direito. Conseguia dormir e tomar banho com a mesma facilidade com que aquele presidente ex-operário conseguia falar sério dizendo apenas bobagem.
E quando pintava uma necessidade mais específica, não era diferente. Dava seu cochilinho sentado no vaso sanitário ou em pé diante dele, reforçando sempre para quem duvidasse, que sabia o que estava fazendo. E de olhos fechados! – exclamava. Só abria antes da derradeira descarga, pois tinha por hábito conferir sua obra e estimar seu peso. De resto, também não errava o buraco do vaso, muito pelo contrario. Chegava até ao requinte de fechar a tampa quando terminava. Era um dorminhoco afinal. Mas um educado acima de tudo.
Levava uma vida normal, apesar do hábito peculiar. Na rua, por exemplo, não passava vontade. E se alguém o acusasse de “dormir no ponto”, tinha como resposta um orgulhoso “sim”. Mas sempre acordava a tempo de nunca perder o bonde. No caso, o ônibus. E tão logo estivesse dentro dele, tratava logo de arrumar um lugar pra se aninhar e viver uma deliciosa experiência de sono durante a viagem.
Por conta disso, muitos imaginavam que teria problemas quando o assunto era relacionamento. Ou o que acontece durante um. Ao que estavam enganados. Apesar de ter sido surpreendido várias vezes por uma súbita sonolência ainda nas preliminares, nessa hora e durante todo o tempo que a atividade durasse, não dormia. Pelo contrário. Estava sempre ligado, em riste por assim dizer. Apenas, como qualquer macho da espécie que se preze, não resistia a um bom cochilo depois de tanto tempo de cabeça quente.
Dormia no carro, na cama, fora dela e também no ponto, era mesmo bom nisso. Até que um dia dormiu na linha. Do trem, no caso. Era hora do “rush” como se diz por aí, a plataforma estava cheia. E depois de um dia de trabalho o sono chegou antes do trem. Quando viu, não viu mais nada. Passou de passageiro a “objeto na via” num piscar de olhos. Aliás, num descansar os olhos que, sem querer, acabou descansando todo o resto.

1 Comentários:
eu acho que o mundo anda em sono...
todo mundo tão consumido...
é perigoso, realmente, se perder
analogias impecáveis...
um beijo
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