terça-feira, 21 de julho de 2009

Amigo mesmo é o Mario, conhece?

Aquela segunda-feira não poderia ser melhor: cinza, chuvosa e fria. Tão fria quanto aquele lugar que só a foca sabe onde é.

Então, atravessou o escritório encarando a todos com aquela cara de mau humor típica das segundas-feiras cinzas, chuvosas e frias. Ligou o computador e assim que o programa de mensagens instantâneas abriu, descobriu uma novidade: era “Dia do Amigo”.

Aqui cabe um parêntesis. Mario era da velha escola, do tempo em que amigo era coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito e aquela coisa toda. Sem viadagem ou pieguice, claro. Mas era assumidamente da época em que quantidade não era – definitivamente – sinônimo de qualidade e que, justamente por isso, amigo se contava nos dedos. Não em followers.

Mas agora os tempos são outros. Agora todo mundo coleciona amigos virtuais. E em vez de combinar um chope, se combina um chat.

Menos Mario, que nunca trocaria o delicioso e espumante gostinho do mundo real por nada. Até porquê, sempre soube que nada substitui uma verdadeira mesa de bar, uma verdadeira roda de amigos e uma verdadeira conversa regada à muita cerveja gelada e uma porçãozinha rotativa – de calabresa ou de fritas.

De volta à data comemorativa, estava inconformado com a novidade. Dia do Amigo? Como assim? Não que fosse completamente ruim. Sabia de gente que namorava, se insinuava e até fazia sexo online. Cada um na sua, a lei é ser feliz. Era o clique fazendo as vezes de metrô lotado e aproximando as pessoas. Mas daí a transformar o dia do amigo em uma data já era demais. Amigo não tem dia nem hora.

Mas Mario sabia que grande parte das pessoas só se lembrava do aniversário dos amigos das redes sociais, ou avaliava o grau de amizade pela quantidade de seguidores no Twitter. Talvez por isso, criar um dia no ano pra celebrar essa amizade fosse mesmo algo prático para a maioria dos amigos virtuais. Pois assim é só mandar um “feliz dia do amigo” via Messenger ou scrap e pronto: contato, só no ano que vem de novo.

Então parou de se questionar e aceitou a realidade. Mas agora, completamente sem culpa. Pois como diria um grande amigo seu, desses que são reais e tão poucos que se contam nos dedos: “Amigo que é amigo não tem dia, tem existência”

E como quem tem dia, tem prazo de validade, ficou tranquilo. Sempre preferiu os amigos que duram para sempre. Então voltou ao trabalho apenas com um ponto a resolver: que horas encontraria os amigos para um chopinho.

3 Comentários:

Blogger Fábio Favaro disse...

Fantástico!

21 de julho de 2009 12:01  
Blogger André Finhana disse...

Meu comentário vai ficar pra o nosso choppinho.

21 de julho de 2009 16:56  
Blogger *-._.-* Anita *-._.-* disse...

Oi, estou passando pra conhecer seu blog, e desejar boa tarde
bjsss

aguardo sua visita :)

5 de agosto de 2009 17:18  

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